Japão reafirma reforço da cooperação com Angola

Luanda - O embaixador do Japão em Angola, Hironori Sawada, declarou hoje, em Luanda, que a participação do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, na Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD 7) permitiu...

Japão reafirma reforço da cooperação com Angola
Luanda - O embaixador do Japão em Angola, Hironori Sawada, declarou hoje, em Luanda, que a participação do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, na Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD 7) permitiu aumentar o interesse do sector privado japonês no mercado angolano.,

Hironori Sawada, que falava a convidados por ocasião da comemoração do Imperador do Japão, referiu que o encontro entre João Lourenço e o primeiro-ministro Shinzo Abe, em Agosto de 2019, durante a cimeira de TICAD 7, marcou um passo importante para os dois países entrarem numa nova era de cooperação.

Realçou que desde o estabelecimento das relações, há 40 anos, os dois estados têm se empenhado em dinamizá-las, tendo como testemunho os resultados alcançados nos últimos anos, graças aos esforços incansáveis dos sectores público e privado.   

Lembrou igualmente que o ano de 2019 foi extremamente marcante, pelo facto de ter sido assinado o acordo para a implementação do Projecto Integrado da Baia do Namibe, a ser desenvolvido pela Toyota Tsusho e TOA Corporation.

Trata-se de um projecto avaliado em USD 600 milhões para o desenvolvimento de infra-estruturas portuárias da Baía do Namibe.

Caberá à empresa Nippon Export and Investment Insurance (NEXI) assegurar esse projecto, que comporta a expansão do Terminal de Contentores do Porto do Namibe e a reabilitação do Terminal de Minérios de Saco-Mar.

A empresa japonesa acredita que o projecto na bacia do Namibe, cuja conclusão está prevista para 2022, irá "reduzir a dependência de Angola do petróleo" e "reconstruir infra-estruturas afectadas pela guerra civil".

O projecto contribuirá para a criação de empregos, revitalização económica do Sul e diversificação de indústrias, além de potenciar o Porto para se tornar numa janela para a importação e exportação de países do interior" e de África, através da linha ferroviária.

O Terminal de Minérios de Saco-Mar foi construído em 1967, com o objectivo de exportar minério de ferro explorado nas minas de Cassinga, província da Huíla, tendo funcionado durante oito anos.

Além das infra-estruturas portuárias, os dois países avançaram para a cooperação no domínio das telecomunicações, precisamente no desenvolvimento da TV Digital, tendo em Março de 2019 o Governo angolano determinado a adopção do sistema japonês de Televisão Digital.

A par destes sectores, destaque para o cabo submarino que liga Angola ao Brasil, através da Angola Cables, cujo parceiro tecnológico é a empresa NSI do Japão. O projecto está avaliado em 400 milhões de dólares.   

Em Março de 2016, o Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC) aprovou o financiamento para a empresa Angola Cables S.A, para a aquisição de equipamentos e serviços de empresas japonesas (NEC, OCC), que serviram para a execução do projecto de instalação de cabo submarino óptico no Atlântico Sul.

O empréstimo foi co-financiado com a Sumitomo Mitsui Banking Corporation (SMBC), com seguro comercial através da Nippon Export and Investment Insurance (NEXI).

O projecto é chave no sector das telecomunicações de Angola e África, representando o primeiro Cabo Submarino no hemisférico Sul, no Oceano Atlântico, que liga Angola e o Brasil, permitindo melhorar a conectividade do continente berço ao resto do mundo.

No domínio da indústria têxtil, o Japão, com financiamento do JBIC, reabilitou, através da Marubeni, as três principais unidades têxteis do país: SATEC (Cuanza Norte), África Têxtil (Benguela) e Textang II (Luanda), no valor global de USD 1,2 mil milhões.

A iniciativa criará novos postos de trabalho e contribuirá para diversificar a economia e substituir a importação, através da exportação do fio e produtos de algodão.

Um dos principais investimentos do gigante asiático foi a reabilitação do Porto do Namibe, que começou em 2007, com uma doação de USD 40 milhões.

O Japão também participa em Angola, até a título de doação, em alguns projectos, nomeadamente na desminagem e electrificação, tendo manifestado interesse em participar de uma forma mais activa e visível no programa de desenvolvimento do país.

 

     

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